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Resenha: MUITO ALÉM DAS ROSAS

|| 🌹RESENHA: MUITO ALÉM DAS ROSAS 🌹|| @autoracamilamartins

Nota: 5/5⭐

Essa resenha é de um livro que eu li mês passado e que posso resumir em uma palavra: LACRE.

O livro conta a história de Maria Rosa e sua pequena família: Rebeca e o irmão José, ambos são camponeses e vive em uma realidade triste de desigualdade e exploração. Maria Rosa cresceu aprendendo com a mãe a trabalhar duro sem reclamar, baixar a cabeça para quem se sentia superior, mesmo que tenha lhe ensinado o seu maior tesouro: a escrita. Rebeka, mesmo querendo protegê-la das ameaças do mundo, acabou plantando uma semente em seu coração: o desejo pela escrita, pelas palavras, a paixão pelos livros. E é quando Rosa vê a oportunidade de participar de um concurso, — o último concurso —, que ela decide abrir mão de tudo pelo seu sonho. Mas até onde isso a levará?

A primeira coisa que tenho a dizer é: esse livro foi um tiro no meu coração. O livro é uma distopia repleta de assuntos relevantes em suas páginas, seja sobre o público LGBT, quanto sobre a desvalorização da escrita, o preconceito, a desigualdade, etc. É um livro extremamente necessário, por isso, já me ganhou de cara!

A Autora tem uma escrita muito envolvente e quando você vê, já leu o livro inteiro. A leitura é muito gostosa e em nenhum momento se tornou massante, o que me fez ler até o fim. O enredo tem um tom dramático e melancólico (que eu amo ) e que nos traz boas reflexões sobre nossa vida.
Os personagens são muito bem construídos e eu fui fisgada por quase todos eles (sim, porque tem uns aí que odeio KKK. Oi, Vicktor?) . A melhor e mais forte para mim é a Avena. É impossível não gostar e se colocar no lugar de cada um, principalmente se tratando dessa personagem incrível. Amo todos eles. A Rosa é uma personagem muito diferente de tudo que eu já vi e gostei do fato da autora desenvolvê-la sem a necessidade de um par romântico. Maria Rosa é o que é, autêntica, ela é ela sem precisar de mais ninguém. Isso pra mim é um ponto genial no livro!

A peculiaridade que a história apresenta tanto em seus personagens como no enredo é o que me faz querer conhecer os outros livros da trilogia, que você pode encontrar gratuitamente no Wattpad!❣️

Ps: Já temos o 1 e 2 disponíveis!

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RESENHA: Procura-se Um Marido

|| 👰RESENHA: PROCURA-SE UM MARIDO | @carinarissi 💍

❣️ 4/5 ⭐

Eu tenho esse livro há um bom tempo e nunca me dei a oportunidade de ler, então nesse mês que se passou resolvi dar essa chance!

Procura-se um marido conta a história da Alicia, uma garota que sabe curtir a vida, sem nunca se apegar a ninguém. A jovem é criada pelo avô, um homem rico e bem sucedido, a quem ela amava incondicionalmente. É quando o avô morre e uma condição que ela não esperava ter em seu testamento aparece, que ela decide fazer, como sempre, as coisas à seu próprio modo. Ela precisa de um marido.

O enredo do livro é muito gostoso! Eu me diverti muito lendo esse livro no caminho do trabalho, no pouco tempo que tinha. A escrita da autora é envolvente e muito engraçada. Dei boas risadas com a Alícia, que é uma personagem única. Falando nos personagens… Este livro tem personagens muito bem construídos e que nos prendem em suas páginas. Eu amo a Alícia principalmente por esse jeitinho doido de ser dela, mas também pelo amadurecimento que ela tem na história. Sem falar no Max, que é o sonho de qualquer mulher, né? Aí, Deus!

O livro tem um enredo muito envolvente, além de inúmeros personagens carismáticos, porém, algumas vezes achei que a história se arrastava um pouco, tornando-se um pouco massiva. Senti que várias páginas do livro não eram tão necessárias assim, mas isso de forma alguma tirou a qualidade da escrita incrível da autora e da história.

Para quem ama um clichê como eu, esse livro é mais que perfeito. Fiquei bem curiosa para conhecer outros escritos da autora, pois esse livro foi uma ótima experiência! ❤️💍

Sobre a Escrita e afins

Recebidos!⭐

OI, GENTEEEE!
Esses livros maravilhosos acabaram de chegar pra mim e eu tô ansiosa pra ler!

Eles serão adicionados a meta de leitura de fevereiro (mas um deles eu já tô terminando de ler porque sou ansiosa!).

“Nunca Vi a Chuva” é do Stefano Santana publicado pela @editorahope e o segundo é o “De Repente Esclerosei” da @resenhandopormarina publicado de forma independente, que eu já estou terminando de ler. Pois é, adiantei a leitura hahaha. 💛

Esperem resenhas maravilhosas para esse mês de fevereiro! E você, qual livro nacional já leu esse ano? 😍💛

Sobre a Escrita e afins

Valorize a literatura nacional!

Gente, eu acho que vocês estão cansados de saber o quanto eu AMO ler livros nacionais, né? Pois é! Esse ano que passou minhas leituras foram 90% nacionais e eu fiquei muito feliz de conhecer tantos livros bons e tantos autores talentosos!

Nesse ano, a meta de nacionais continua! O Porta, antes de nascer com a proposta de propagar a literatura, foi pensado também para explorar esse mundo da literatura nacional e trazer a vocês, tantos talentos incríveis que temos em nosso país. Para mim é uma honra contribuir com isso.

#valorizealiteraturanacional #Literaturanacional #Amolernacionais

Resenha da semana

RESENHA: As Razões de Cris

|| 🚲 RESENHA: AS RAZÕES DE CRIS🚲||

5/5⭐

Hoje a resenha é de um livro lindo e nacional, porque eu amo hahaha!

Esta é uma história sobre vingança. Mas, para chegar ao motivo e para quem é essa vingança, somos levados a conhecer a história de Cris e suas razões, desde a infância. Cris é uma garota que desde criança conviveu com o preconceito, mas tentou sempre levar a vida da melhor maneira, passar por cima dos obstáculos e seguir em frente. Ao conhecer Pedro, Cris tinha certeza de que junto ao amigo gordinho, conquistaria o mundo. Mas os percalços poderiam ser maiores do que ela esperava.

Este é um livro forte, com temas relevantes e necessários, pois mostra a real cara do preconceito, a crueldade, o quanto as pessoas podem ser cruéis e padronizadas desde a infância. A autora tem uma escrita que acolhe o leitor, fazendo o mesmo sentir-se amigo da protagonista e sentir junto a ela, toda a dor que sua trajetória de vida lhe trouxe. Além de abordar temas como: gordofobia, bullying, preconceito racial, conflitos familiares, homofobia, poliamor, amizade dentre outros temas, o livro nos ensina de diversas formas, o quanto a vingança pode ser ruim, um círculo vicioso. Nossas escolhas afetam nossas vidas, isso é muito real em “As Razões de Cris”

Outra coisa que muito gostei no livro foi a forma real com que a autora descreve a Cidade de Santa Má, fazendo-nos apaixonar por cada pedacinho. A situação das escolas públicas é citada também, algo que achei bem diferente, por não ver em outros livros.

Os personagens são muito bem construídos. Eu odiei, amei e odiei, depois amei de novo o Pedro. Fiquei até confusa, gente!🤣
É possível perceber o traço de personalidade de cada personagem, e, sério: eu amo a Regina desde aquela cena do banheiro, sim! Empatia é tudo. Falando nisso… Um ponto forte desse livro são as cenas de tirar o fôlego! Ah, dona autora, a página 144 tá aí pra comprovar.
Sem falar que nesse livro temos o melhor/pior vilão, né? Oi, Rick cabeça de ovo?! Alerto aos leitores que os reencontros de um certo casal nesse livro farão vocês pirarem hahaha.

Este livro é maravilhoso de diversas maneiras. Não só por mostrar o quanto a vingança é amarga, o quanto afeta a nós mesmos… Mas também por mostrar a realidade que pessoas que não estão dentro dos padrões precisam enfrentar. E acredite, sempre foi assim. As Razões de Cris é um livro real, necessário e completamente diferente de tudo que eu já li! Por esse motivo, recomendo de olhos fechados essa leitura.

Encontre o livro em:

https://linktr.ee/mariafreitaslivros

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Resenha: Letras de Seda

|| 🎵 RESENHA: LETRAS DE SEDA || @estergdias
🎵
🎵 5/5⭐

Eu terminei de ler e disse pra mim mesma: porque não li antes, heim?

Letras de Seda conta a história da Amora Machado, uma adolescente de dezessete anos como outra qualquer, mas que acaba tendo que morar com os tios com quem tem pouco contato, logo após sua mãe descobrir estar grávida e decidir morar junto com o namorado na Bolívia. Amora enfrenta vários dilemas em sua vida, não só com a mudança repentina, mas também com a ausência do pai. Mesmo assim, leva a vida com muito bom humor. É nessa nova fase onde ela se descobrirá como pessoa, enfrentará alguns probleminhas e também conhecerá alguém (ou mais de um alguém?) que irá balançar se coração.

Foi uma leitura leve e muito gostosa. A escrita da autora nos faz adentrar a história e entrar em sintonia total com o livro. Junto a Amora, eu chorei, gritei, xinguei e me emocionei diversas vezes. Sem falar nos crushes, né? É impossível escolher um só! Eu amo o Apolo e o Guto nem se fala hahaha.

Uma das coisas que mais me tocaram na história foi a questão de relações familiares, que sim, nem sempre são perfeitas. E sim, muitas vezes é necessário que tomemos decisões em prol de algo maior, embora achemos por hora que aquilo não deveria ser feito. Precisamos lutar por nós também. A vida de Amora teve seus percalços, mas também as suas recompensas. A amizade também se mostrou presente e muito importante para a história, algo muito bonito e importante nesse enredo. Amo a Lori, sim!

As reflexões que o livro nos traz através da Amora e seus pensamentos em construção, são de tirar o fôlego. A história também tem um tom poético e musical, o que ajudou a deixá-la ainda mais interessante e romântica. É impossível não suspirar em diversas cenas da Amora com uma pessoinha aí, que eu não vou dar spoiler 😱. Em suas trezentas e poucas páginas, o livro conseguiu me surpreender, — principalmente com o seu final —, e em outros momentos, me fez perder o ar, — principalmente pertinho do fim. E eu amei cada linha, cada parágrafo, cada página. Agradeço a autora a oportunidade de conhecer essa história que eu espero que o mundo também conheça.

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RESENHAS 2018

RESENHAS 2018

1 – BORBOLETAS Radioativas, Ana Luísa Ricardo

2. DIREÇÃO, Erika Grecy

3. SEMPRE FAÇO TUDO ERRADO QUANDO ESTOU FELIZ, Raquel Segal

4. Outras Carolinas, Mulherio da Bahia

5. Beijo da Morte, Bruna Chiarett

6. A Missão, Stefani Pinheiro Paludo

7. Idalina, Miquéias Maia

8. Da Tua Rosa, Laís Lacet

9. O Inventor de Estações, Ítalo Anatércio

10. A Vida Imperfeita de Teca, Maria Freitas

11. O Pequeno Príncipe

12. Profecia do Caos, Eduardo Albuquerque

13. O Jardim Curioso

14. Legend: O feiticeiro Azul, Ysla Silveira

15. Céu de Menta, Camila Martins

16. Perdido, Caique Barreto

17. Jéssica, Felipe Sali

18. Poder de Vingança, Dancley Fernandes

19. O Papai Noel não vem Aqui, Antologia Editora Resistência

20. Sobre Poeira e Sol e Uma Certa Calça Floral, Catarina Guedes

21. Sob As Asas do Anjo, Evy Maciel

22. Letras de Seda, Ester Gonçalves Dias

Resenha da semana

Resenha: Horror na Colina de Darrington

|| 👁️‍🗨️ RESENHA: HORROR NA COLINA DE DARRINGTON|| @omarcusbarcelos
👁️‍🗨️
👁️‍🗨️ 5/5⭐
👁️‍🗨️
A resenha de hoje é muito especial, pois é de um livro que eu gosto muito e que foi muito difícil de falar. Particularmente, foi um dos melhores que li em 2018!

No livro, somos levados a conhecer o Ben Simons, um garoto órfã que é convidado a morar na grande e misteriosa casa da Colina de Darrington juntos aos tios para cuidar de sua prima mais nova. Mas bem não contava com os mistérios e façanhas que envolviam a casa, muito menos que sua então breve estadia naquele lugar, mudaria todo o rumo de sua pacata vida. E para pior.

A leitura de “Horror na Colina de Darrington” já começa causando arrepios! Desde as primeiras páginas, fui fisgada para o universo da história e isso é o mais legal na escrita do Marcus. Ele consegue fisgar o leitor até a última linha sem nem se dar conta. Outra coisa incrível são as ilustrações do livro, junto as descrições, tornam o livro ainda melhor.

A escrita do autor é cativante e envolvente, suas descrições são impecáveis. É possível sentir o Horror que Ben passa em sua jornada como se fôssemos o próprio. E, posso dizer… O horror também se apoderou de mim ao ler este livro! Os personagens, até mesmo os secundários são cativantes e tem seu papel importante na história, sendo que nenhum permaneceu em desuso.

☠️

O horror vivido por Ben Simons também nos passa várias reflexões, como por exemplo: até onde nós podemos ir para buscar o que almejamos? Até quando a nossa sanidade poderá nos acompanhar? É um livro necessário, com discussões importantes nas entrelinhas, um terror eletrizante e com descrições de tirar o fôlego!

Além disso, ao terminar a leitura, nós descobrimos que a história está apenas começando. E de fato, tem muito a ser contato ainda. Estou lendo o segundo livro “Dança da Escuridão” e cada vez mais, me vejo imersa ao universo da história e nos segredos que envolvem essa trama tão maravilhosa.

Encontre este livro, assim como a sequência nas melhores livrarias do Brasil! ❤️

Resenha da semana

Resenha: Autômato

Finalmente trago a vocês a resenha desse livro que foi uma das melhores leituras de janeiro, trata-se do 1 livro da trilogia “Projeto Colmeia”. Bora lá?

Em “Autômato” somos apresentados a um mundo distópico, onde os menos abastados precisam trabalhar para garantir a concentração de recursos no núcleo. Conhecemos o Simas, que tem uma história de vida complicada, principalmente após a morte da mãe. Com mais um final de ciclo anual, os provincianos se preparam para o grande evento que poderá levar habitantes da província até o núcleo, lugar onde muitos almejam ir acreditando que terão uma vida melhor. Simas não está convencido disso. Quando ao acaso (ou não) Simas se vê diante uma terrível realidade, ele descobre que sempre esteve terrivelmente certo.

Tô tentando fazer uma resenha sem spoilers, mas confesso ser difícil, viu! Bora continuar, né?🤣

A escrita e a leveza com que a narrativa é conduzida é um dos maiores diferenciais desse livro. Por se tratar de uma história escrita por dois autores, percebemos a grande sintonia em que eles trabalharam para que falassem a mesma língua. O livro tem uma gramática impecável, os capítulos são bem estruturados e não percebi pontas soltas na narrativa, o que agradou muito na leitura.

Além disso, o livro é completamente envolvente. A cada passar de páginas, somos instigados a descobrir o que acontecerá a seguir, a curiosidade por saber mais de cada personagem, do universo incrível criado pelos autores. É incrível! Falando em universo… A trama criada pelos autores é tão envolvente e peculiar que somos levados a adentrar o mundo dos personagens de forma sútil. Iniciei a leitura com várias teorias do que poderia acontecer na história e pasmem: não aceitei nadinha!

O livro se trata de uma distopia que também discuti temas relevantes, fazendo-nos pensar sobre o que é real ou ficção e perceber que aquela realidade está mais próxima de nós do que pensamos. As críticas feitas contra padrões de beleza, posição social, desigualdade, violência, dentre outras; levam o leitor a pensar e refletir sobre suas próprias atitudes, pensamentos e também sua própria vida.

E, como se não bastasse, Autômato é um livro que choca você a cada novo capítulo. Principalmente no quesito personagem! Então aviso: nada é o que parece! Teremos mortes e sangue? Teremos! Teremos shiper estranhamente impossível? Teremos também! Só digo que você que não leu ainda esse livro, tá perdendo tempo!

Agradeço aos autores pela oportunidade de ler uma história nacional tão incrível!

E claro, para quem quiser adquirir esse livro que diga-se de passagem está lindo, é só escolher sua forma de leitura favorita:

eBook por R$5,99 (Grátis no Kindle Unlimited): http://bit.ly/AutomatoAmz

Físico por R$28: http://bit.ly/AutomatoLP

Resenha da semana

Resenha: A Memória é um peixe fora D’água

Por: Alexandra Vieira de Almeida

O novo livro de Patrícia Porto é um livro de contos. Editado pela Penalux neste ano de 2018, A memória é um peixe fora d’água apresenta quadros corriqueiros que ganham densidade dramática. O livro é dividido em três partes chamadas aqui de tombos (Os ossos no porão – 19 contos, Os crônicos – 5 contos e Fogaréu no céu, exílio na terra – 10 contos), totalizando 34 contos curtos, mas que apresentam a tensão trágica própria do drama. E não poderia faltar a referência aos mitos em vários contos. Massaud Moisés em seu Dicionário de Termos Literários, assim disse: “No tocante à linguagem, o conto prefere a concisão à prolixidade, a concentração de efeitos à dispersão”. Temos nesses contos admiráveis a concentração de efeitos literários e complexos que adentram nas camadas mais profundas de nossa individualidade, fazendo o diálogo entre os elementos exteriores e interiores. Os contos ganham densidade psicológica num curto espaço de tempo, eis a estratégia narrativa desta grandiosa escritora Patrícia Porto.

No conto “Coturno 36”, temos a figura da personagem que é uma moça que quer usar um coturno 36 e pede ao padrasto esta incumbência de conseguir para ela este objeto de cunho masculino, já que no Dicionário Houaiss se diz que o coturno é uma bota de soldado. O machismo do pai mostra o preconceito com relação a este desejo da moça. E mais uma vez aqui a referência ao teatro se faz presente, pois num dos significados de coturno no mesmo Dicionário se revela o seu uso antigamente por atores nas representações, especialmente nas tragédias. Esse objeto mostra uma imponência de quem o usa, figuradamente. A personagem demonstra seu poder e força ao se comparar à figura do homem. É uma mulher fálica que quer se sobressair perante o machismo do padrasto. O final é surpreendente, deixando-nos impactados diante do poder desta moça imponente. O padrasto fala: “E tu é homem? Vai usar coturno pra quê?” Com seu dinamismo masculino-feminino, a moça resolve a questão pela agressividade e violência. No sentido figurado, o uso do coturno representa nobreza, muita importância e imponência.

No conto “Ícaro”, mais uma vez a presença da densidade dramática, típica da tragédia, mas que é iluminada pela força figurativa desses ricos e profundos contos. A personagem diz: “Ícaro morreu aos sete meses dentro da minha barriga”. E continua: “Fiquei anos me odiando pela escolha desastrosa do nome”. A ideia de culpa é uma dos elementos desse conto magistral. Ícaro queria voar além, até o sol, e, por isso, ganha o abalo de sua queda trágica. As imagens da vida e morte, nascimento e queda, comparecem neste belíssimo conto. Aqui os símbolos da subida e da descida, da anábase e da catábase se espelham paradoxalmente. A ensaísta Danielle Perin Rocha Pitta, no texto crítico “Iniciação à teoria do imaginário de Gilbert Durand”, assim disse sobre este importante teórico das estruturas antropológicas do imaginário com relação aos símbolos metamorfos: “São aqueles relativos à experiência dolorosa da infância. A queda tem a ver com o medo, a dor, a vertigem, o castigo (Ícaro). Mas a queda frequentemente é uma queda moral (pelo menos no Ocidente) e tem então a ver com a carne, o ventre digestivo e o ventre sexual e daí, com o intestino, o esgoto, o labirinto, e o cair-se no abismo, e o abismo pode ser tentação.” O gerar a vida tem cheiro de morte e a ideia da culpabilidade materna se apresenta neste conto dramático e simbólico.

No conto “O método”, temos a tensão entre dois seres, um casal, homem e mulher. Encontramos a reciprocidade e o paralelismo, a mesma moeda com que se paga na relação entre ambos. Com seres tensos como numa corda esticada para os dois lados, vemos a tão intrigante “guerra dos sexos”. Ele se apresenta como desinteressado pelos gostos e assuntos da mulher. A incomunicabilidade dele forma uma teia de aranha entre os dois, minando o relacionamento conturbado: “Claro que ele não acredita em nada do que eu digo. Nem eu acredito em nada do que ele diz”. A palavra “paz” cria um clima denso, na verdade. Há uma reversibilidade irônica, pois, na verdade, não é a paz que impera no casal, mas sim o conflito. Ele se caracteriza pela secura, sem amor, até mesmo no sexo, que se tornou uma coisa mecânica, por obrigação dele. Ele tem todo um método. E por isto, ela vai tentar reconfigurar o espaço deles e não consegue. Ela tenta redesenhar o relacionamento pelos objetos da casa, mas não se sente confortável e tudo volta para o mesmo lugar. Ela consegue criar seu próprio método, pois não consegue se adaptar ao método dele. Por isto ela flerta com a literatura, com a linguagem simbólica, para que a realidade não a deixe cair por terra. Enquanto ela é sentimento, ele é frieza. A tensão está configurada e ela tenta driblá-la com a criatividade. A solidão, o vazio e a incomunicabilidade se perdem no tempo da eternidade. Ela escreve poesia para matar o tempo. Ao contrário do amor, o desamor ganha força: “O amor que não existia dentro do caderno. Nem mesmo o amor menor. O desamor era tudo”.

Em “O nascimento de Vênus”, encontramos o contraste entre o trágico e o cômico, mas não deixando de lado o questionamento da personagem na sua crença ao esoterismo, à astrologia. No mapa astral, a personagem convive durante anos com o ascendente errado e após o descobrimento destas veredas “reais” tem um choque, fazendo-a entrar em conflito com relação aos seus apegos ao misticismo e, num tom, de niilismo, ela questiona a crença a partir do vazio e do desapego: “Descobri desta maneira um tanto pitoresca o quanto nos apegamos às coisas, as mais incrédulas, as menos questionadas, creio”. Paradoxalemte, no final das frases, ela utiliza uma ironia ácida, a palavra “creio”, que, na verdade, revela a descrença da personagem com relação à vida e seus percalços. A tensão aqui não ocorre entre dois seres, mas no interior dúbio e ambíguo da personagem que tem uma referência errada que quebra com seus padrões de verdade. Há uma contradição entre o que ela é, sua personalidade, sua persona, com relação à máscara trágica, sua aparência. Questiona o ascendente por não ter a ver com ela. A astróloga conta o mito de Afrodite para ela e a questionadora recoloca o mito de acordo com seu ponto de vista, havendo um jogo psicológico tenso e denso em sua persona. A ressignificação do mito por Patrícia Porto é excepcional neste conto, ganhando toda sua força dramática: “O caminho da verdade é a dialética”. Assim, temos a personagem e seus fantasmas, suas questões. Mas, por outro lado, a personagem conclui que deve haver uma boa dose de “fantasia” na nossa vida para que o real não nos choque com sua descrença. No final do conto, de forma surpreendente ela busca a ciência, o ponderável, “o equilíbrio libriano”, por assim dizer. Como não nos lembrarmos aqui do conto “A cartomante”, de Machado de Assis. Aqui a referência é marcante.

No conto que fecha o livro, “A gata amarela”, temos a imagem paradoxal da violência e proteção, ao mesmo tempo, na imagem de uma gata prenha que tem os seus filhotes. Aqui, temos um conto dentro do conto, criando um grande impacto literário: “Quando nasci fui adotada por minha avó, a mãe de todos”. Num processo de seleção, a personagem vai contar aquilo que foi mais importante na sua infância, o que mais a impactou, pois o conto conciso revela uma grande concentração conteudística que se reconfigura em várias chaves de interpretação, criando-se assim um quadro vivo e dinâmico em toda sua expressão que navega nos múltiplos espelhos das questões que nos são mais urgentes. O filhote, o que é rejeitado pela mãe é que é acolhido pela menina que se surpreende com o fim trágico do pobre animalzinho: “Digo isto pensando que sou filha da sorte: sobrevivi para contar esses sonhos, delírios, memórias, causos, esses ossos todos da gata amarela. Guardem aí nos porões dessas casas barulhentas”.

Portanto, Patrícia Porto consegue aliar a imagem da extensão de sua profundidade poética a textos curtos que nos têm muito a dizer com seus jogos de espelhamentos, paralelismos, contrastes, ironia, numa linguagem rica em significados que vão deixar marcas nos leitores atentos. A força da dramaticidade densa de seus textos reconfigura a potência do conto que ganha ares de relevância em meio ao caos da realidade. A persona e a máscara se densificam nas finas letras desta escritora que tem muita complexidade em seus contos concentrados que revelam a dimensão do mito e da realidade. Ela une os dois num jogo tenso, mostrando que a literatura tem muito a dizer para seus leitores. Que ela ganhe cada vez mais receptores, ávidos por sua primorosa literatura que arranca do abismal a sua potência de arte verdadeira.

SERVIÇO

“A memória é um peixe fora d’água”, contos. Autora: Patrícia Porto. Editora Penalux, 98 págs., R$ 36,00.

Disponível em:

E- mail: vendas@editorapenalux.com.br

A resenhista

Alexandra Vieira de Almeida é Doutora em Literatura Comparada pela UERJ. Também é poeta, contista, cronista, crítica literária e ensaísta. Publicou os primeiros livros de poemas em 2011, pela editora Multifoco: “40 poemas” e “Painel”. “Oferta” é seu terceiro livro de poemas, pela editora Scortecci. Ganhou alguns prêmios literários. Publica suas poesias em revistas, jornais e alternativos por todo o Brasil. Em 2016 publicou o livro “Dormindo no Verbo”, pela Editora Penalux.

Contato: alealmeida76@gmail.com