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Resenha: Letras de Seda

|| 🎵 RESENHA: LETRAS DE SEDA || @estergdias
🎵
🎵 5/5⭐

Eu terminei de ler e disse pra mim mesma: porque não li antes, heim?

Letras de Seda conta a história da Amora Machado, uma adolescente de dezessete anos como outra qualquer, mas que acaba tendo que morar com os tios com quem tem pouco contato, logo após sua mãe descobrir estar grávida e decidir morar junto com o namorado na Bolívia. Amora enfrenta vários dilemas em sua vida, não só com a mudança repentina, mas também com a ausência do pai. Mesmo assim, leva a vida com muito bom humor. É nessa nova fase onde ela se descobrirá como pessoa, enfrentará alguns probleminhas e também conhecerá alguém (ou mais de um alguém?) que irá balançar se coração.

Foi uma leitura leve e muito gostosa. A escrita da autora nos faz adentrar a história e entrar em sintonia total com o livro. Junto a Amora, eu chorei, gritei, xinguei e me emocionei diversas vezes. Sem falar nos crushes, né? É impossível escolher um só! Eu amo o Apolo e o Guto nem se fala hahaha.

Uma das coisas que mais me tocaram na história foi a questão de relações familiares, que sim, nem sempre são perfeitas. E sim, muitas vezes é necessário que tomemos decisões em prol de algo maior, embora achemos por hora que aquilo não deveria ser feito. Precisamos lutar por nós também. A vida de Amora teve seus percalços, mas também as suas recompensas. A amizade também se mostrou presente e muito importante para a história, algo muito bonito e importante nesse enredo. Amo a Lori, sim!

As reflexões que o livro nos traz através da Amora e seus pensamentos em construção, são de tirar o fôlego. A história também tem um tom poético e musical, o que ajudou a deixá-la ainda mais interessante e romântica. É impossível não suspirar em diversas cenas da Amora com uma pessoinha aí, que eu não vou dar spoiler 😱. Em suas trezentas e poucas páginas, o livro conseguiu me surpreender, — principalmente com o seu final —, e em outros momentos, me fez perder o ar, — principalmente pertinho do fim. E eu amei cada linha, cada parágrafo, cada página. Agradeço a autora a oportunidade de conhecer essa história que eu espero que o mundo também conheça.

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RESENHAS 2018

RESENHAS 2018

1 – BORBOLETAS Radioativas, Ana Luísa Ricardo

2. DIREÇÃO, Erika Grecy

3. SEMPRE FAÇO TUDO ERRADO QUANDO ESTOU FELIZ, Raquel Segal

4. Outras Carolinas, Mulherio da Bahia

5. Beijo da Morte, Bruna Chiarett

6. A Missão, Stefani Pinheiro Paludo

7. Idalina, Miquéias Maia

8. Da Tua Rosa, Laís Lacet

9. O Inventor de Estações, Ítalo Anatércio

10. A Vida Imperfeita de Teca, Maria Freitas

11. O Pequeno Príncipe

12. Profecia do Caos, Eduardo Albuquerque

13. O Jardim Curioso

14. Legend: O feiticeiro Azul, Ysla Silveira

15. Céu de Menta, Camila Martins

16. Perdido, Caique Barreto

17. Jéssica, Felipe Sali

18. Poder de Vingança, Dancley Fernandes

19. O Papai Noel não vem Aqui, Antologia Editora Resistência

20. Sobre Poeira e Sol e Uma Certa Calça Floral, Catarina Guedes

21. Sob As Asas do Anjo, Evy Maciel

22. Letras de Seda, Ester Gonçalves Dias

Resenha da semana

Resenha: Horror na Colina de Darrington

|| 👁️‍🗨️ RESENHA: HORROR NA COLINA DE DARRINGTON|| @omarcusbarcelos
👁️‍🗨️
👁️‍🗨️ 5/5⭐
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A resenha de hoje é muito especial, pois é de um livro que eu gosto muito e que foi muito difícil de falar. Particularmente, foi um dos melhores que li em 2018!

No livro, somos levados a conhecer o Ben Simons, um garoto órfã que é convidado a morar na grande e misteriosa casa da Colina de Darrington juntos aos tios para cuidar de sua prima mais nova. Mas bem não contava com os mistérios e façanhas que envolviam a casa, muito menos que sua então breve estadia naquele lugar, mudaria todo o rumo de sua pacata vida. E para pior.

A leitura de “Horror na Colina de Darrington” já começa causando arrepios! Desde as primeiras páginas, fui fisgada para o universo da história e isso é o mais legal na escrita do Marcus. Ele consegue fisgar o leitor até a última linha sem nem se dar conta. Outra coisa incrível são as ilustrações do livro, junto as descrições, tornam o livro ainda melhor.

A escrita do autor é cativante e envolvente, suas descrições são impecáveis. É possível sentir o Horror que Ben passa em sua jornada como se fôssemos o próprio. E, posso dizer… O horror também se apoderou de mim ao ler este livro! Os personagens, até mesmo os secundários são cativantes e tem seu papel importante na história, sendo que nenhum permaneceu em desuso.

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O horror vivido por Ben Simons também nos passa várias reflexões, como por exemplo: até onde nós podemos ir para buscar o que almejamos? Até quando a nossa sanidade poderá nos acompanhar? É um livro necessário, com discussões importantes nas entrelinhas, um terror eletrizante e com descrições de tirar o fôlego!

Além disso, ao terminar a leitura, nós descobrimos que a história está apenas começando. E de fato, tem muito a ser contato ainda. Estou lendo o segundo livro “Dança da Escuridão” e cada vez mais, me vejo imersa ao universo da história e nos segredos que envolvem essa trama tão maravilhosa.

Encontre este livro, assim como a sequência nas melhores livrarias do Brasil! ❤️

Resenha da semana

Resenha: Autômato

Finalmente trago a vocês a resenha desse livro que foi uma das melhores leituras de janeiro, trata-se do 1 livro da trilogia “Projeto Colmeia”. Bora lá?

Em “Autômato” somos apresentados a um mundo distópico, onde os menos abastados precisam trabalhar para garantir a concentração de recursos no núcleo. Conhecemos o Simas, que tem uma história de vida complicada, principalmente após a morte da mãe. Com mais um final de ciclo anual, os provincianos se preparam para o grande evento que poderá levar habitantes da província até o núcleo, lugar onde muitos almejam ir acreditando que terão uma vida melhor. Simas não está convencido disso. Quando ao acaso (ou não) Simas se vê diante uma terrível realidade, ele descobre que sempre esteve terrivelmente certo.

Tô tentando fazer uma resenha sem spoilers, mas confesso ser difícil, viu! Bora continuar, né?🤣

A escrita e a leveza com que a narrativa é conduzida é um dos maiores diferenciais desse livro. Por se tratar de uma história escrita por dois autores, percebemos a grande sintonia em que eles trabalharam para que falassem a mesma língua. O livro tem uma gramática impecável, os capítulos são bem estruturados e não percebi pontas soltas na narrativa, o que agradou muito na leitura.

Além disso, o livro é completamente envolvente. A cada passar de páginas, somos instigados a descobrir o que acontecerá a seguir, a curiosidade por saber mais de cada personagem, do universo incrível criado pelos autores. É incrível! Falando em universo… A trama criada pelos autores é tão envolvente e peculiar que somos levados a adentrar o mundo dos personagens de forma sútil. Iniciei a leitura com várias teorias do que poderia acontecer na história e pasmem: não aceitei nadinha!

O livro se trata de uma distopia que também discuti temas relevantes, fazendo-nos pensar sobre o que é real ou ficção e perceber que aquela realidade está mais próxima de nós do que pensamos. As críticas feitas contra padrões de beleza, posição social, desigualdade, violência, dentre outras; levam o leitor a pensar e refletir sobre suas próprias atitudes, pensamentos e também sua própria vida.

E, como se não bastasse, Autômato é um livro que choca você a cada novo capítulo. Principalmente no quesito personagem! Então aviso: nada é o que parece! Teremos mortes e sangue? Teremos! Teremos shiper estranhamente impossível? Teremos também! Só digo que você que não leu ainda esse livro, tá perdendo tempo!

Agradeço aos autores pela oportunidade de ler uma história nacional tão incrível!

E claro, para quem quiser adquirir esse livro que diga-se de passagem está lindo, é só escolher sua forma de leitura favorita:

eBook por R$5,99 (Grátis no Kindle Unlimited): http://bit.ly/AutomatoAmz

Físico por R$28: http://bit.ly/AutomatoLP

Resenha da semana

Resenha: A Memória é um peixe fora D’água

Por: Alexandra Vieira de Almeida

O novo livro de Patrícia Porto é um livro de contos. Editado pela Penalux neste ano de 2018, A memória é um peixe fora d’água apresenta quadros corriqueiros que ganham densidade dramática. O livro é dividido em três partes chamadas aqui de tombos (Os ossos no porão – 19 contos, Os crônicos – 5 contos e Fogaréu no céu, exílio na terra – 10 contos), totalizando 34 contos curtos, mas que apresentam a tensão trágica própria do drama. E não poderia faltar a referência aos mitos em vários contos. Massaud Moisés em seu Dicionário de Termos Literários, assim disse: “No tocante à linguagem, o conto prefere a concisão à prolixidade, a concentração de efeitos à dispersão”. Temos nesses contos admiráveis a concentração de efeitos literários e complexos que adentram nas camadas mais profundas de nossa individualidade, fazendo o diálogo entre os elementos exteriores e interiores. Os contos ganham densidade psicológica num curto espaço de tempo, eis a estratégia narrativa desta grandiosa escritora Patrícia Porto.

No conto “Coturno 36”, temos a figura da personagem que é uma moça que quer usar um coturno 36 e pede ao padrasto esta incumbência de conseguir para ela este objeto de cunho masculino, já que no Dicionário Houaiss se diz que o coturno é uma bota de soldado. O machismo do pai mostra o preconceito com relação a este desejo da moça. E mais uma vez aqui a referência ao teatro se faz presente, pois num dos significados de coturno no mesmo Dicionário se revela o seu uso antigamente por atores nas representações, especialmente nas tragédias. Esse objeto mostra uma imponência de quem o usa, figuradamente. A personagem demonstra seu poder e força ao se comparar à figura do homem. É uma mulher fálica que quer se sobressair perante o machismo do padrasto. O final é surpreendente, deixando-nos impactados diante do poder desta moça imponente. O padrasto fala: “E tu é homem? Vai usar coturno pra quê?” Com seu dinamismo masculino-feminino, a moça resolve a questão pela agressividade e violência. No sentido figurado, o uso do coturno representa nobreza, muita importância e imponência.

No conto “Ícaro”, mais uma vez a presença da densidade dramática, típica da tragédia, mas que é iluminada pela força figurativa desses ricos e profundos contos. A personagem diz: “Ícaro morreu aos sete meses dentro da minha barriga”. E continua: “Fiquei anos me odiando pela escolha desastrosa do nome”. A ideia de culpa é uma dos elementos desse conto magistral. Ícaro queria voar além, até o sol, e, por isso, ganha o abalo de sua queda trágica. As imagens da vida e morte, nascimento e queda, comparecem neste belíssimo conto. Aqui os símbolos da subida e da descida, da anábase e da catábase se espelham paradoxalmente. A ensaísta Danielle Perin Rocha Pitta, no texto crítico “Iniciação à teoria do imaginário de Gilbert Durand”, assim disse sobre este importante teórico das estruturas antropológicas do imaginário com relação aos símbolos metamorfos: “São aqueles relativos à experiência dolorosa da infância. A queda tem a ver com o medo, a dor, a vertigem, o castigo (Ícaro). Mas a queda frequentemente é uma queda moral (pelo menos no Ocidente) e tem então a ver com a carne, o ventre digestivo e o ventre sexual e daí, com o intestino, o esgoto, o labirinto, e o cair-se no abismo, e o abismo pode ser tentação.” O gerar a vida tem cheiro de morte e a ideia da culpabilidade materna se apresenta neste conto dramático e simbólico.

No conto “O método”, temos a tensão entre dois seres, um casal, homem e mulher. Encontramos a reciprocidade e o paralelismo, a mesma moeda com que se paga na relação entre ambos. Com seres tensos como numa corda esticada para os dois lados, vemos a tão intrigante “guerra dos sexos”. Ele se apresenta como desinteressado pelos gostos e assuntos da mulher. A incomunicabilidade dele forma uma teia de aranha entre os dois, minando o relacionamento conturbado: “Claro que ele não acredita em nada do que eu digo. Nem eu acredito em nada do que ele diz”. A palavra “paz” cria um clima denso, na verdade. Há uma reversibilidade irônica, pois, na verdade, não é a paz que impera no casal, mas sim o conflito. Ele se caracteriza pela secura, sem amor, até mesmo no sexo, que se tornou uma coisa mecânica, por obrigação dele. Ele tem todo um método. E por isto, ela vai tentar reconfigurar o espaço deles e não consegue. Ela tenta redesenhar o relacionamento pelos objetos da casa, mas não se sente confortável e tudo volta para o mesmo lugar. Ela consegue criar seu próprio método, pois não consegue se adaptar ao método dele. Por isto ela flerta com a literatura, com a linguagem simbólica, para que a realidade não a deixe cair por terra. Enquanto ela é sentimento, ele é frieza. A tensão está configurada e ela tenta driblá-la com a criatividade. A solidão, o vazio e a incomunicabilidade se perdem no tempo da eternidade. Ela escreve poesia para matar o tempo. Ao contrário do amor, o desamor ganha força: “O amor que não existia dentro do caderno. Nem mesmo o amor menor. O desamor era tudo”.

Em “O nascimento de Vênus”, encontramos o contraste entre o trágico e o cômico, mas não deixando de lado o questionamento da personagem na sua crença ao esoterismo, à astrologia. No mapa astral, a personagem convive durante anos com o ascendente errado e após o descobrimento destas veredas “reais” tem um choque, fazendo-a entrar em conflito com relação aos seus apegos ao misticismo e, num tom, de niilismo, ela questiona a crença a partir do vazio e do desapego: “Descobri desta maneira um tanto pitoresca o quanto nos apegamos às coisas, as mais incrédulas, as menos questionadas, creio”. Paradoxalemte, no final das frases, ela utiliza uma ironia ácida, a palavra “creio”, que, na verdade, revela a descrença da personagem com relação à vida e seus percalços. A tensão aqui não ocorre entre dois seres, mas no interior dúbio e ambíguo da personagem que tem uma referência errada que quebra com seus padrões de verdade. Há uma contradição entre o que ela é, sua personalidade, sua persona, com relação à máscara trágica, sua aparência. Questiona o ascendente por não ter a ver com ela. A astróloga conta o mito de Afrodite para ela e a questionadora recoloca o mito de acordo com seu ponto de vista, havendo um jogo psicológico tenso e denso em sua persona. A ressignificação do mito por Patrícia Porto é excepcional neste conto, ganhando toda sua força dramática: “O caminho da verdade é a dialética”. Assim, temos a personagem e seus fantasmas, suas questões. Mas, por outro lado, a personagem conclui que deve haver uma boa dose de “fantasia” na nossa vida para que o real não nos choque com sua descrença. No final do conto, de forma surpreendente ela busca a ciência, o ponderável, “o equilíbrio libriano”, por assim dizer. Como não nos lembrarmos aqui do conto “A cartomante”, de Machado de Assis. Aqui a referência é marcante.

No conto que fecha o livro, “A gata amarela”, temos a imagem paradoxal da violência e proteção, ao mesmo tempo, na imagem de uma gata prenha que tem os seus filhotes. Aqui, temos um conto dentro do conto, criando um grande impacto literário: “Quando nasci fui adotada por minha avó, a mãe de todos”. Num processo de seleção, a personagem vai contar aquilo que foi mais importante na sua infância, o que mais a impactou, pois o conto conciso revela uma grande concentração conteudística que se reconfigura em várias chaves de interpretação, criando-se assim um quadro vivo e dinâmico em toda sua expressão que navega nos múltiplos espelhos das questões que nos são mais urgentes. O filhote, o que é rejeitado pela mãe é que é acolhido pela menina que se surpreende com o fim trágico do pobre animalzinho: “Digo isto pensando que sou filha da sorte: sobrevivi para contar esses sonhos, delírios, memórias, causos, esses ossos todos da gata amarela. Guardem aí nos porões dessas casas barulhentas”.

Portanto, Patrícia Porto consegue aliar a imagem da extensão de sua profundidade poética a textos curtos que nos têm muito a dizer com seus jogos de espelhamentos, paralelismos, contrastes, ironia, numa linguagem rica em significados que vão deixar marcas nos leitores atentos. A força da dramaticidade densa de seus textos reconfigura a potência do conto que ganha ares de relevância em meio ao caos da realidade. A persona e a máscara se densificam nas finas letras desta escritora que tem muita complexidade em seus contos concentrados que revelam a dimensão do mito e da realidade. Ela une os dois num jogo tenso, mostrando que a literatura tem muito a dizer para seus leitores. Que ela ganhe cada vez mais receptores, ávidos por sua primorosa literatura que arranca do abismal a sua potência de arte verdadeira.

SERVIÇO

“A memória é um peixe fora d’água”, contos. Autora: Patrícia Porto. Editora Penalux, 98 págs., R$ 36,00.

Disponível em:

E- mail: vendas@editorapenalux.com.br

A resenhista

Alexandra Vieira de Almeida é Doutora em Literatura Comparada pela UERJ. Também é poeta, contista, cronista, crítica literária e ensaísta. Publicou os primeiros livros de poemas em 2011, pela editora Multifoco: “40 poemas” e “Painel”. “Oferta” é seu terceiro livro de poemas, pela editora Scortecci. Ganhou alguns prêmios literários. Publica suas poesias em revistas, jornais e alternativos por todo o Brasil. Em 2016 publicou o livro “Dormindo no Verbo”, pela Editora Penalux.

Contato: alealmeida76@gmail.com
Resenha da semana

RESENHA: Como ser ninguém na cidade grande

Entre o humor e a melancolia em Como ser ninguém na cidade grande,
de Luiz Roberto Guedes.

Por: Alexandra Vieira de Almeida

No livro de contos Como ser ninguém na cidade grande (Penalux, 2018), de Luiz Roberto Guedes, temos as várias faces dos seres anônimos que povoam os centros urbanos. No conto que abre o livro, o título já indica isto. Em “Pessoas inexistentes” flagramos um escritor em ânsias de querer tomar os escritos de um mendigo que escreve coisas eróticas. Luiz Roberto Guedes, a partir de sua narrativa dá importância a coisas aparentemente desimportantes, a pessoas desconhecidas de nossa sociedade que ganham uma relevância grandiosa a partir de sua linguagem literária, que apesar de ser direta e objetiva, mescla o humor com a ironia e a melancolia, típicos do meio urbano na nossa contemporaneidade. Apesar da multidão, da aglomeração das grandes urbes, convivemos com nossa própria solidão e individualidade.
No primeiro conto, temos: “NINGUÉM OLHA DUAS VEZES para um mendigo. A não ser um repórter fotográfico em busca de um personagem. Ou um escritor deparando-se com uma história”. Tudo pode virar enredo na pena do escritor. E nesta história, o mendigo se torna meio de se criar um enredo espetacular. Algo ordinário ganha ares de uma coisa extraordinária. Do abjeto, quase inumano e anônimo se retira o grito da literatura, sua estupefação frente a coisas diminutas. O que é menor se veste de grande interesse. As massas são plenas de significados. Os seres que habitam na cidade não são fantasmas esquecidos, mas seres com grande profundidade e complexidade. Isto, Luiz Roberto Guedes desencadeia com maestria. O tédio e a alegria se fundem nos seus dedos mágicos de escritor que conhece a fundo as estruturas de uma excelente narrativa com maravilhosas histórias para contar.

Um dos métodos dos gritos da cidade que têm de ser ouvidos e lidos por nós leitores é a estratégia narrativa de começar alguns parágrafos em caixa alta, revelando a ênfase em frases-chave que mostram o quanto é importante adentrar na vida dessas “pessoas inexistentes”. Como o “ninguém” ganha voz e refrão nas frases bem encadeadas e organizadas neste livro magistral, que dialoga com a liquidez dos tempos atuais. Algo que se desmancha ganha corporalidade, solidez no livro de Luiz Roberto Guedes, que conhece como ninguém seu artefato linguístico com magnitude e inteligência. Um autor de peso que sabe trilhar os caminhos da narrativa, que prende a atenção do leitor do início ao fim.
No conto “Késia com K”, apesar de o personagem principal ter os carinhos protetores da mãe, sente sua solidão por uma mulher e encontra uma jovem de cerca de 18 anos, levando-a para a casa dele. Ele tinha perdido a mulher e o filho há trinta anos. No seu esvaziamento e melancolia, precisa preencher este vácuo nos afagos de uma garota. Sua mãe, preconceituosa, não aceita um homem maduro como ele com uma jovenzinha deste porte. Com fina ironia, levar uma “mocinha desamparada”, é um “gesto solidário”, que tem outras intenções ocultas pelo véu da generosidade, mas que esconde, palimpsesticamente, o desejo sexual por jovens. Ele que é um sessentão é despertado por desejos incontidos no seu ser. A chantagem emocional da mãe não tem igual: “Trate de arranjar uma mulher da sua idade, pra cuidar de você quando eu me for”. A partir de seu caso com uma moça tão jovem, Aldo tem que criar mentiras e ficções para saber driblar sua realidade chocante aos olhos de uma sociedade hipócrita e falsa moralmente. Como com relação à síndica de seu prédio. No meio do anonimato, temos o famosismo do skatista madurão que quer dar pinta de jovem, o Rubião Bala, que aparece no jornal como campeão brasileiro de skate e leva a jovem amada de Aldo, que fica a ver navios. Isto mostra as dificuldades e percalços do relacionamento, que se direciona para uma roda viva.
Em “Como ser ninguém na cidade grande”, conto homônimo ao título do livro, temos o poder da mercantilização do livro. No conto, percebemos como os barulhos da cidade perturbam o escritor que está se encaminhando para a editora com seu novo livro, que não é plausível de ser vendido. Os temas dos livros comerciais são outros como diz o editor e, temos, assim a “estrangeirização” de nossa literatura, que perde a vitalidade de nossas características nacionais. O que vem de fora é mais importante, revelando nosso complexo de vira-latas, como diria Nelson Rodrigues. A valorização do que vem de fora em detrimento de nossas características particulares revela a desvalorização de boas histórias que podem ser contadas no nosso chão. Outra questão apontada por Luiz Roberto Guedes nos seus contos é o conflito de gerações. A alegria e o vigor da nossa giunventú e a melancolia do envelhecimento, que os deixa sós e desamparados no meio das grandes cidades. Neste conto aqui, isto é revelado pelo personagem principal que se veste de forma antiquada e a editora com ares futuristas, revelando o choque entre vestuário e ambiente ao redor: “A SECRETÁRIA DA HB recebeu com estranheza aquela figura anacrônica. Destoava do design futurista da recepção”. Na HBeditorial, percebemos a frieza das pessoas de uma repartição a partir da secretária da editora em questão. O visual do editor é “pós-moderno” e contrasta com o do escritor. Os gostos do público-leitor não têm tempo para uma literatura mais exigente, é o que o editor demonstra para o escritor. O editor utiliza várias palavras em inglês do meio editorial, revelando esta “internacionalização” de nossa literatura e de nossa própria língua, que é invadida por estrangeirismos. Luiz Roberto Guedes brinca com o próprio título do seu livro no interior deste conto, descontextualizando sua qualidade literária e ironizando a lei do mercado com o assassinato desta literatura comercial, quando na verdade seu livro Como ser ninguém na cidade grande foge à lei do mercado, pois é um livro realmente de literatura e com o apelo a um leitor mais exigente.
Em “Encontros no escuro”, temos um escritor cego de histórias eróticas. E, aqui temos a referência a Glauco Mattoso, que é um poeta cego. Inicialmente este escritor tem preconceito em contratar uma datilógrafa mulher e muito jovem. Mas de forma inusitada ele acaba contratando, mostrando ao longo do conto, a relação entre mestre e aprendiz entre os dois, mas que se revezam entre ambos e revela, dessa forma, os aprendizados que ocorrem entre as pessoas nas grandes cidades, apesar do caos, do barulho e da superficialidade dos anúncios que abarrotam nossa visão. As situações engraçadas no conto conduzem ao riso, que se traduz com doses de melancolia, ganhando uma contradição original e inusitada. Ele é um escritor das antigas que prefere uma datilógrafa a uma digitadora, tendo ainda suas fitas cassetes com seus contos gravados e sua máquina Olivetti. Temos, assim, novamente, o choque entre o novo e o velho, o que é arcaico em nosso mundo contemporâneo da rapidez e da velocidade. Outro contraste interessante é a sublimidade das músicas que o escritor cego pede para a datilógrafa colocar como música clássica (Mozart, Debussy e outros) e jazz (Billie Holiday, Ray Charles) com o conteúdo extremamente erótico de suas narrativas. Temos nos seus contos pessoas invisíveis e anônimas, mas que ganham visibilidade e importância a partir da literatura. Eis o gesto magistral de seus contos. A sexualidade é exposta sem nenhum pudor por Luiz Roberto Guedes neste conto assim como em outros da mesma lavra. Aqui, quanto mais detalhista mais erótico. Algo contrastante para um homem cego, mas que pelo tato ganha verossimilhança nas suas histórias.
O paradoxo cegueira/visualidade das cenas de seus contos é quebrado, pois a partir das palavras é possível quebrar estes paradigmas. A pesquisa é o dom do escritor. Para narrar, uma pesquisa minuciosa tem de ser feita e, isso, Luiz Roberto Guedes, faz muito bem, com muita técnica e maestria. O escritor deste conto cita Glauco Mattoso: “O meu dia amanhece cada vez menos/e anoitece cada vez mais cedo”. Uma excelente técnica é também utilizada por Guedes aqui, ou seja, traduzir a partir dos parênteses os pensamentos das personagens, como se no sufocamento destes sinais se pudesse explodir a malha dos desejos. E temos também outra técnica de internalização que é o conto dentro do conto-mor. Alguns contos do escritor da história aqui em questão são transcritos na íntegra por Luiz Roberto Guedes, apresentando, assim, um labirinto textual, onde uma parte está inserida no todo, como se a miniatura revelasse a metonímia de suas histórias, que é a satisfação dos desejos humanos, a sexualidade e erotismo à flor da pele. A crítica do escritor cego ao amor tem suas revelações ocultas, pois o amor é um só, se espelha na unidade enquanto temos as variações do sexo, em sua multiplicidade. No conto temos o sexo a três numa de suas histórias eróticas. São de extrema liberdade, crueldade e perversão alguns de seus contos. Enquanto as descrições eróticas do escritor Ciro são mais diretas e pornográficas, a beleza da descrição do narrador com relação à história dos dois, Estela, a datilógrafa e Ciro, o escritor é de um lirismo erótico arrebatador.
Em “Alô Alessandra”, temos a imagem metafórica inicial da melancolia da cidade, um dia chuvoso, que revela a melancolia e a solidão de um homem extremamente gordo que tenta conseguir uma companhia feminina e se sente frustrado por não conseguir. Ele tenta procurar por telefone um amor e não é levado em conta, pois todas as amigas de sua lista telefônica estão ocupadas. Ele que é um ator teatral encena uma verdadeira farsa e as farsantes são suas amigas que o desprezam. Ele procura um amor a partir de um convite para uma de suas novas peças de teatro e não consegue nada. Aqui ele se torna um “ninguém”, mas ganha interesse pela ótica do narrador, que revela este personagem para nos fazer pensar sobre nossos próprios preconceitos. Aqui o preconceito por sua figura desajeitada e desvantajosa.
No conto “Ritos favoritos de Eros”, temos a força do desejo que irrompe com violência e faz despertar paixões, com a traição de uma bela e jovem chilena que trai seu futuro esposo rico com o empregado dele. Mas ela põe fim à relação, pois vai se casar e não quer levantar suspeitas. Nisto, o empregado do milionário quer se vingar e leva uma arma ao encontro dos dois na sua casa de praia, mas acaba tendo um encontro inusitado que o leva a outros rumos. São estas situações inusitadas e imprevisíveis que fazem dos contos de Luiz Roberto Guedes grandes em expectativas e surpresas. O empregado vai ao encontro do patrão e encontra um escultor ao qual a empresa do milionário onde o personagem principal trabalha financiou. O escultor é amigo do casal. O empregado se lembra da obra exposta do escultor, um kama sutra escultórico, “Ritos de Eros”, em que encontramos “Casais copulando, em diversas posições”. Mais uma vez, o erotismo é a força-motora de seu conto, apresentando os desejos dos seres, o prazer que pulsa incansavelmente em todos nós, que tentamos fugir do tédio e da solidão, que nos massacram. A surpresa é a escultura coberta que, curioso, o empregado do milionário tenta desvendar.
Em “Noite com Carla, Conrado e Mila”, temos a relação do mundo dos vivos com o mundo dos mortos, que até o título do conto nos sugere, pois Carla se envolve com um homem mais velho. Mais uma vez aqui o conflito de gerações. Conrado no meio do ato sexual morre com um ataque cardíaco e a descrição da narrativa segue seu caminho com doses de humor negro, reunindo a tragicidade ao riso, num misto de grande impacto visual e descritivo. A amiga lésbica, Mila, é que vai ajudá-la e cabe ao leitor saborear esta história enigmática que nos choca com sua alegria trágica. O post coitum triste se transforma no tom irônico com que Mila conduz a narrativa. Ela tem uma estratégia e somos conduzidos pelo humor seco e risível das situações contadas. As várias faces do humor erótico são reveladas com doses de tristeza e dramaticidade. Um humor mórbido é exposto em sua fluidez orgânica, como se ele fosse natural aos nossos olhos cansados e anêmicos.
No conto, que finaliza o livro, temos coisas sérias que são relatadas com humor por Luiz Roberto Guedes, que é um escritor que revela pleno conhecimento das técnicas literárias e seus impactos. O dia e noite de um pronto-socorro público, que é um verdadeiro “Inferno de Dante”, nos apresenta este humor ácido: “-Não é melhor mandar a paciente pro choque? – falou Emiko, a japonesinha residente, branca feito papel.” O autor nos vem falar das misérias de um hospital público, mostrando sua crítica com relação ao descaso das autoridades: “Já em hospital público, a miséria é crônica”. Ou ainda este: “Falta medicamento, gaze, algodão, estetoscópio”. É o grito social da literatura que Luiz Roberto Guedes nos faz ter consciência de nossa realidade. Este escritor maduro e admirável nos expõe o que se esconde por trás das malhas do real e nos choca com sua linguagem diferente, misturando o sério ao cômico. Há uma grande surpresa no final do conto, nos mostrando as artimanhas do texto literário. Portanto, nos contos excepcionais deste escritor experiente e mestre das técnicas narrativas, temos histórias que se alicerçam nas profundezas abissais de um povo anônimo e infeliz, que tenta minimizar sua solidão com o erotismo, a literatura e outras coisas mais satisfatórias. Unindo a melancolia das grandes multidões, com humor e cruel ironia, o escritor faz os leitores refletirem sobre suas próprias experiências pessoais em meio a uma realidade massacrante e monótona. Luiz Roberto Guedes consegue com grande proeza driblar os males de nossa sociedade com seu conhecimento pleno da literatura que ameniza as dores constantes dos seres em meio à urbe caótica e apavorante.
“Como ser ninguém na cidade grande”, contos. Autor: Luiz Roberto Guedes. Editora Penalux, 172 págs., R$ 40,00.
Disponível em:
http://editorapenalux.com.br/loja/como-ser-ninguem-na-cidade-grande
E- mail: vendas@editorapenalux.com.br

A resenhista
Alexandra Vieira de Almeida é Doutora em Literatura Comparada pela UERJ. Também é poeta, contista, cronista, crítica literária e ensaísta. Publicou os primeiros livros de poemas em 2011, pela editora Multifoco: “40 poemas” e “Painel”. “Oferta” é seu terceiro livro de poemas, pela editora Scortecci. Ganhou alguns prêmios literários. Publica suas poesias em revistas, jornais e alternativos por todo o Brasil. Em 2016 publicou o livro “Dormindo no Verbo”, pela Editora Penalux.

Contato: alealmeida76@gmail.com

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Indicação de Leitura: O Livro do Insólito Viajante e sua Extraordinária Jornada

A extraordinária jornada de uma mochila

Livro de estreia de escritor santista usa a viagem de seu protagonista
como enredo para profunda busca pessoal e autodescoberta.

“Às vezes nos deixamos aprisionar pelos hábitos rotineiros e não percebemos que estamos impossibilitando que a vida transcorra a nosso favor”.

Essa frase é do autor de O livro do insólito viajante e sua extraordinária jornada, romance de estreia do escritor André Taka, umas das recentes publicações da Editora Penalux.

O livro parte do princípio de que a vida é uma busca pessoal, porém, muitas vezes precisamos de um fato involuntário e ilógico que nos desperte para o que realmente importa.

O enredo gira em torno de Roberto, rapaz humilde da periferia de Salvador que resolve devolver uma mochila roubada pelo irmão ao proprietário: um mochileiro que fez a viagem de Santos até a capital baiana. Como ele possui poucas informações sobre o viajante, decide refazer o trajeto, só que inversamente, para tentar aprender um pouco sobre esse desconhecido.

É durante essa jornada que Roberto vai conhecendo pessoas incríveis e descortinando cenários exuberantes ao passar pela Chapada Diamantina (BA), Caraíva (BA), Itaúnas (ES), Rio de Janeiro, Itamonte (MG) até seu destino final, Santos, cidade do viajante incógnito.

O texto aborda temas como a importância exagerada ao materialismo, a excessiva valorização do ‘vencer na vida’ em detrimento da felicidade, as relações complexas e controversas entre as pessoas, entre outros que servem como pano de fundo para a jornada de Roberto.

Segundo o autor, a ideia central da obra é demonstrar que se nos desprendermos de preconceitos e medos e nos jogarmos atrás de nossos objetivos, encontraremos respostas sobre até perguntas que nem conhecíamos. “É um road book que leva o leitor a conhecer alguns dos lugares mais incríveis do país enquanto acompanha a metamorfose do protagonista”.
O Livro do Insólito Viajante é uma extraordinária jornada em que o leitor imerge na intimidade do protagonista e acaba sendo guiado nessa trip por destinos cênicos no Brasil. Viagem imperdível que vale embarcar.

SOBRE O AUTOR

André Taka, 41, é sobretudo um curioso observador que divide seu tempo entre as funções de pai do Pedro Henrique e advogado. Se atreveu a escrever algumas crônicas, contos e poesias, até culminar em seu primeiro romance. É um apaixonado por viagens e de uma delas nasceu a inspiração para O Livro do Insólito Viajante.

SERVIÇO

Título: O livro do Insólito Viajante e sua extraordinária jornada, romance
Autor: André Taka
Publicação: 2018
Tamanho: 14×21
Páginas: 286 p (pólen soft 80 gr.)
Preço: R$ 45
Disponível em:
http://editorapenalux.com.br/loja/

Resenha da semana · Sem categoria

Resenha: Melanie

Em Melanie, de Maxwell dos Santos, publicado em 2018, temos o prazer de nos encantar com uma belíssima história de superação. Uma garota pobre, moradora da periferia de Vitória – ES, que luta contra todas as adversidades da vida para realizar seu sonho, estudar medicina na Universidade Federal do Espírito Santo.

Maxwell dos Santos, nasceu e reside em Vitória –ES, é jornalista, licenciado em Letras pelo Instituto Federal do Espírito Santo – IFES e em história pela Uninter. Escritor de vários livros, dentre eles, 24horas de Anna Beatriz, Ilha Noiada, Empodeirando-se, entre outros.

O texto é narrado em terceira pessoa, baseado no discurso indireto livre e organizado em treze capítulos. A história nos apresenta uma personagem bastante inspiradora, Melanie, como o autor intitula o livro, é uma garota esforçada, batalhadora, honesta, inteligente e que honra os princípios que acredita. Mesmo sendo de origem humilde, ela jamais deixou de sonhar e de lutar por seus objetivos, mesmo que a sociedade elitista, capitalista e injusta em sua volta, muitas vezes a dissesse “não”.

O sonho de Melanie era se tornar médica, não escolhia essa profissão por vaidade, mas por amor ao próximo, por gostar de cuidar das pessoas. Mas sabia que entrar na universidade não seria uma tarefa tão fácil, pois o curso de medicina era o mais concorrido da UFES.
Melanie, não tinha condições de pagar um cursinho preparatório para o vestibular, então consegue aprovação, através de um processo seletivo, no Programa Universidade para todos, cursa alguns dias, mas graças ao seu bom desempenho, consegue uma bolsa no Lamarck, um dos melhores cursinhos da região, muda-se para ele e segue com foco.
Mesmo não sendo tão fácil a vida de estudante, pois as maratonas de estudo, por vezes, eram bem cansativas, tudo estava indo bem, até que uma tragédia muda toda a sua vida e a tira o foco. Um terrível acidente em um posto de combustíveis, envolvendo dois jovens alcoolizados e drogados, tira a vida do seu irmão, um garoto de 12 anos, com síndrome de Down, de sua prima e do frentista do posto. Melanie fica muito machucada fisicamente, mas a notícia da morte das pessoas que ela amava, a devastou, emocionalmente.

O romance traz algumas discussões extremamente relevantes, os desafios de jovens pobres para ter acesso à educação superior, a irresponsabilidade de jovens que misturam álcool e direção e a disputa gananciosa de cursos pré-vestibulares por alcançar cada vez mais aprovações, sem se preocupar no bem-estar dos estudantes. Além de algumas reflexões, embasadas em manifestações que ocorrem durantes a história, envolvendo o sistema de cotas, configurando explicitamente uma luta de classes, de um lado uma juventude pobre, negra e marginalizada, com escasso acesso a educação de boa qualidade e de outro uma sociedade elitista, que só pensa no acúmulo de riquezas.

Foi um grande prazer conhecer a história de Melanie, embora o livro seja de literatura infantojuvenil, acredito que qualquer faixa etária possa desfrutar dessa leitura, pois as questões apresentadas são bastante relevantes. Com uma escrita clara e bem próxima do coloquial e popular, Maxwell faz a gente se encantar em uma leitura muita natural, que nos deixa muito à vontade.

Sem dúvida, indico essa leitura a todos que buscam se encantar, se divertir e se emocionar, mas que também precisam ser provocados, é isso que Melanie faz em toda a história, nos provoca, nos tira da nossa zona de conforto, mostrando a nós e a ela mesma, que podemos mudar o fluxo de nossas vidas para realizar nossos sonhos.
Será que Melanie, após ter perdido seus familiares, terá forças para lutar pelo seu sonho? Ela conseguirá ser aprovada no vestibular? Os jovens, inconsequentes, foram punidos pelo crime que cometeram? A disputa entre reconhecer e não reconhecer as cotas universitárias continua ou acontecerá um acordo? Todas essas respostas, apenas você, leitor, poderá desvendar. Convido-te a inquietar-se com o final dessa história!

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Meta de leitura 2019 – MÊS DE JANEIRO

👁️‍🗨️ META DE LEITURA: JANEIRO|

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Nesse mês de janeiro eu coloquei poucos livros para a meta, sendo eles:

1° Singular (um conto da @_mynameiszoex) – lido!

2° Sombras da Escuridão (@omarcusbarcelos) – lido!

3° Autômato (@gabowill.autores) – lendo

4° 100 gotas de Sangue (@jheffersonpassos) – lido!

5° Além da Amizade (@claraalvesg – Ainda começarei

6° Mil mortes e outras histórias ( Jack London, @editorapenalux ) – Ainda para começar

Mas agora que estou trabalhando como Assistente Editorial e também estou lendo novos livros, então essa meta aumentou:

7° Porasy (Vania Silva) – lido!
E ainda vem mais uma listinha por aí! 🤣

Gostaram do post? No final do mês eu conto como foi, quais livros eu li e se eu consegui atingir a meta. Aguardem 💕. SALDO FINAL: 4 de 7 livros lidos até agora.

Resenha da semana

Resenha: 100 Gotas de Sangue

||💀 RESENHA: 💯 GOTAS DE SANGUE || @jheffersonpassosautor ☠️
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☠️ Onde encontrar? Amazon

☠️ 5/5 ⭐

Adivinha quem foi a louca que pegou um livro pra ler na madrugada 🤣? Quem nunca, né?
Hoje a resenha é desse livro de microcontos maravilhoso que eu li ontem!

💀

100 Gotas de Sangue reúne 100 microcontos de terror (e algumas vezes, um pouco de humor sarcástico). Um livro bem rápido de ler em uma madrugada solitária… A escrita do autor nos prende do início ao fim, não só por ser um livro de contos pequenos, mas também por surpreender com suas reviravoltas em tão poucas linhas! Acredite, isso é muito difícil. Eu conheci a escrita do Jhefferson em seu livro “A Capela” e me apaixonei! Neste livro, com uma proposta diferente, ele mostra que sabe o que está fazendo.
Levando o leitor a sentir medo, rir, pensar e sentir mais medo de novo, o autor consegue transmitir a peculiaridade de sua escrita nesse pequeno livro sombrio e sarcástico. Sou suspeita a falar, mas gosto muito do trabalho do Jhefferson e esse livro veio para mostrar mais uma vez, que ele tem muito a mostrar a esse mundo do terror nacional.
100 Gotas de Sangue é um livro curtinho, mas surpreendente e instigante. Você não vai conseguir parar de ler, até a última gota. São 100 contos muito bem escritos e pensados a nós leitores, amantes do terror.
Obrigada por mais um trabalho incrível, Jhefferson.💕